{"id":149,"date":"2017-02-10T20:30:26","date_gmt":"2017-02-10T20:30:26","guid":{"rendered":"http:\/\/sindiodontoserra.com.br\/site\/?p=149"},"modified":"2021-09-23T13:27:05","modified_gmt":"2021-09-23T13:27:05","slug":"historia-da-odontologia-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sindiodontoserra.com.br\/site\/historia-da-odontologia-no-brasil\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria da Odontologia no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><strong>Hist\u00f3ria da Odontologia no Brasil<\/strong><\/p>\n<p>Hist\u00f3ria da Odontologia no Brasil. A Odontologia praticada no s\u00e9culo XVI, a partir da descoberta do Brasil por Pedro \u00c1lvares Cabral em 22 de abril de 1500, restringia-se quase que s\u00f3 as extra\u00e7\u00f5es dent\u00e1rias. As t\u00e9cnicas eram rudimentares, o instrumental inadequado e n\u00e3o havia nenhuma forma de higiene. Anestesia, nem pensar. O barbeiro ou sangrador devia ser forte, impiedoso, impass\u00edvel e r\u00e1pido. Os m\u00e9dicos (f\u00edsicos) e cirurgi\u00f5es, diante tanta crueldade , evitavam esta tarefa, alegando os riscos para o paciente (possibilidade de morte) de hemorragias e inevit\u00e1veis infec\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Argumentavam que as m\u00e3os do profissional poderiam ficar pesadas e sem condi\u00e7\u00f5es para interven\u00e7\u00f5es delicadas. Os barbeiros e sangradores eram geralmente ignorantes e tinham um baixo conceito, aprendendo esta atividade com algu\u00e9m mais experiente.<\/p>\n<p>Em 1600, havia no Rio de Janeiro 300 colonos e suas fam\u00edlias. Por certo deveriam existir &#8220;mestres&#8221; de v\u00e1rios of\u00edcios, inclusive mestres cirurgi\u00f5es e barbeiros, que &#8220;curassem de cirurgia, sangrassem, tirassem dentes, etc.&#8221;<\/p>\n<p>Para exercer esta atividade os profissionais dependiam de uma licen\u00e7a especial dada pelo &#8220;cirurgi\u00e3o-mor mestre Gil&#8221;, sendo os infratores autuados, presos e multados em tr\u00eas marcos de ouro &#8230; (segundo a norma da Carta R\u00e9gia de 25 de outubro de 1448, de El-rei D. Afonso, de Portugal, dando &#8220;carta de oficio de cirurgi\u00e3o-m\u00f3r destes reinos&#8221;). A carta de of\u00edcio n\u00e3o se referia aos barbeiros e sangradores, havendo a possibilidade destes profissionais terem obtido licen\u00e7a do cirurgi\u00e3o-m\u00f3r de Portugal.<\/p>\n<p>Somente em 09 de novembro de 1629 houve, atrav\u00e9s da Carta R\u00e9gia, os exames aos cirurgi\u00f5es e barbeiros. A reforma do regimento em 12 de dezembro de 1631 determinava a multa de dois mil r\u00e9is \u00e0s pessoas que &#8220;tirassem dentes&#8221; sem licen\u00e7a. Parece que sangrador e tiradentes, of\u00edcios acumulados pelos barbeiros, eram coisas que se confundiam, podendo o sangrador tamb\u00e9m tirar dentes, pois nos exames de habilita\u00e7\u00e3o tinham de provar que durante dois anos &#8220;sangraram&#8221; e fizeram as demais atividades de barbeiro.<\/p>\n<p>Para avaliar o significado e conceito de &#8220;barbeiro&#8221; temos na quarta edi\u00e7\u00e3o do Novo Dicion\u00e1rio da L\u00edngua Portuguesa, de Eduardo de Faria, publicado no Rio de Janeiro em 1859:<\/p>\n<p>Barbeiro: s.m. &#8211; o que faz barba; (antigo) &#8220;sangrador&#8221;, cirurgi\u00e3o pouco instru\u00eddo que sangrava, deitava ventosas, sarjas, punha c\u00e1usticos e fazia opera\u00e7\u00f5es cir\u00fargicas pouco importantes. -* Obs.: Nessas cirurgias pouco importantes inclu\u00edam-se extra\u00e7\u00f5es dent\u00e1rias.<\/p>\n<p>Em 1728, na Fran\u00e7a, Pi\u00e9rre Fauchard (1678-1761) com seu livro: Le Chirugien Dentiste au Trait\u00e9 des Dents, revoluciona a odontologia, inovando conhecimentos, criando t\u00e9cnicas e aparelhos, sendo juntamente cognominado &#8220;o pai de Odontologia Moderna&#8221;. Nesta \u00e9poca come\u00e7ava a explora\u00e7\u00e3o do ouro no Estado de Minas Gerais, com grande afluxo de interessados e Jos\u00e9 S. C. Galhardo \u00e9 nomeado pela Casa Real Portuguesa, cirurgi\u00e3o-m\u00f3r deste Estado, regulamentando os pr\u00e1ticos da arte dent\u00e1ria.<\/p>\n<p>Pela lei de 17 de junho de 1782, para uma melhor fiscaliza\u00e7\u00e3o nas col\u00f4nias portuguesas, em lugar de f\u00edsico e cirurgi\u00e3o-m\u00f3r, foi criada a Real Junta de Proto-Medicato. Constitu\u00edda de sete deputados, m\u00e9dicos ou cirurgi\u00f5es, para um per\u00edodo de tr\u00eas anos, caberia a estes o exame e a expedi\u00e7\u00e3o de cartas e licenciamento das &#8220;pessoas que tirassem dentes&#8221;.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas deste s\u00e9culo, Joaquim Jos\u00e9 da Silva Xavier (1746-1792) praticou a Odontologia que aprendera com seu padrinho, Sebasti\u00e3o Ferreira Leit\u00e3o. Seu confessor, Frei Raymundo de Pennaforte disse sobre ele: &#8220;Tirava com efeito dentes com a mais sutil ligeireza e ornava a boca de novos dentes, feitos por ele mesmo, que pareciam naturais&#8221;.<\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo os dentes eram extra\u00eddos com as chaves de Garangeot, alavancas rudimentares, e o pelicano. N\u00e3o se fazia tratamento de canais e as obtura\u00e7\u00f5es eram de chumbo, sobre tecido cariado e polpas afetadas, com conseq\u00fc\u00eancias desastrosas. A pr\u00f3tese era bem simples, esculpindo dentes em osso ou marfim, que eram amarrados com fios aos dentes remanescentes. Dentaduras eram esculpidas em marfim ou osso utilizando-se dentes Humanos e de animais, retendo-as na boca por interm\u00e9dio de molas, sistemas usados na Europa. Por\u00e9m no Brasil, era tudo mais rudimentar.<br \/>\nOs barbeiros e sangradores aprendiam o of\u00edcio com um mais experiente e tinham que provar uma pr\u00e1tica de dois anos sob a vista do mesmo. Ap\u00f3s pagar a taxa de oito oitavos de ouro. Submeter-se-iam a exame perante o cirurgi\u00e3o substituto de Minas Gerais e dois profissionais escolhidos por este. Aprovados, teriam suas cartas expedidas e licen\u00e7as concedidas. No final do s\u00e9culo XVIII, mais precisamente em 23 de maio de 1800, cria-se o &#8220;plano de exames&#8221;, um aperfei\u00e7oamento das formalidades e dos exames. \u00e9 encontrado pela primeira vez em documentos do Reino, o voc\u00e1bulo &#8220;dentista&#8221;. Conv\u00e9m lembrar que foi criado pelo cirurgi\u00e3o franc\u00eas Guy Chauliac (1300-1368), aparecendo pela primeira vez em seu livro &#8220;Chirurgia Magna&#8221; publicado em 1363.<\/p>\n<p>Em 07 de mar\u00e7o de 1808, fugindo das for\u00e7as francesas, o pr\u00edncipe regente D. Jo\u00e3o VI, sua corte e a nata da sociedade portuguesa (cerca de 15 mil pessoas) chegavam a Salvador, tornando-se o Brasil por esta conting\u00eancia sede do reino. Houve um grande surto de progresso.<\/p>\n<p>No hospital de S\u00e3o Jos\u00e9, na Bahia, criava-se a Escola de Cirurgia, gra\u00e7as a interfer\u00eancia do Doutor Jos\u00e9 Corr\u00eaa Pican\u00e7o, f\u00edsico e cirurgi\u00e3o-m\u00f3r; em nome da Real Junta do Proto-Medicato. Nada beneficiou os dentistas na ocasi\u00e3o. Pican\u00e7o, a seguir, n\u00e3o s\u00f3 licenciou os profissionais da corte, como sete negros, de baixa classe social, alguns at\u00e9 escravos de poderosos senhores. Havia nesta \u00e9poca dois ditados populares: &#8220;ou casa, ou dente&#8221; &#8211; ou &#8220;ou dente, ou queixo, ou l\u00edngua, ou bei\u00e7o&#8221;. Indicavam que dado o pouco conhecimento e inabilidade dos &#8220;tira-dentes&#8221; ocorria freq\u00fcentemente traumatismos nestas regi\u00f5es.<\/p>\n<p>Para moralizar esta atividade ante as in\u00fameras queixas contra os profissionais, o cirurgi\u00e3o-m\u00f3r determinava em suas &#8220;cartas&#8221;, que o barbeiro poderia exercer a sua arte com restri\u00e7\u00f5es, &#8220;n\u00e3o sangrandos em ordem de m\u00e9dico ou cirurgi\u00e3o aprovado e n\u00e3o tirando dentes sem ser examinado&#8221;. Antes do final de 1808, D. Jo\u00e3o VI transfere-se de Salvador para o Rio de Janeiro.<br \/>\nEm 07 de outubro de 1809 \u00e9 abolida a Real Junta do Proto-Medicato, ficando todas as responsabilidades ao encargo do f\u00edsico-m\u00f3r e do cirurgi\u00e3o-m\u00f3r, com a colabora\u00e7\u00e3o de seus delegados e subdelegados. O f\u00edsico-m\u00f3r do Reino era Manoel Vieira da Silva, encarregado do controle do exerc\u00edcio de Medicina e Farm\u00e1cia e o cirurgi\u00e3o-m\u00f3r dos ex\u00e9rcitos, Jos\u00e9 Corr\u00eaa Pican\u00e7o tinha poderes an\u00e1logos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cirurgia, controlando o exerc\u00edcio das fun\u00e7\u00f5es realizadas pelos sangradores, dentistas, parteiras e algebristas.<\/p>\n<p>Alguns cirurgi\u00f5es tamb\u00e9m tiravam &#8220;carta de sangria&#8221; e indiscutivelmente o povo era beneficiado. Nesta \u00e9poca o mestre Domingos, &#8220;barbeiro&#8221; popular no bairro da Sa\u00fade, Rio de Janeiro, se tornou famoso. O negro mesti\u00e7o exercia sua atividade tamb\u00e9m na casa de clientes. Sob o bra\u00e7o levava uma esteira de t\u00e1bua, que servia de cadeira e uma enferrujada chave de Garangeot. Dado a manobras intempestivas, algumas vezes extra\u00eda tamb\u00e9m o dente vizinho, mas cobrava apenas um. \u00c0s crian\u00e7as, sugeriu que o dente extra\u00eddo fosse jogado no telhado, dizendo antes e por tr\u00eas vezes: &#8220;Mour\u00e3o, toma teu dente podre e d\u00e1 c\u00e1 o meu s\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Havia um crioulo muito habilidoso que esculpia dentaduras em osso e as vendia na porta das igrejas, ap\u00f3s as missas domingueiras. Era s\u00f3 escolher, n\u00e3o s\u00f3 a mais bonita, como tamb\u00e9m a que se adapta-se o melhor poss\u00edvel na boca.<br \/>\nEm 1820, o Doutor Pican\u00e7o concedeu ao franc\u00eas Doutor Eug\u00eanio Frederico Guertin a &#8220;carta&#8221; para exercer sua profiss\u00e3o no Rio de Janeiro. Era diplomado pela Faculdade de Odontologia de Paris e aqui atingiu elevado conceito, atendendo a maior parte da nobreza, inclusive D. Pedro II e familiares. Publicou em 1819, &#8216;Avisos Tendentes \u00e0 Conserva\u00e7\u00e3o dos Dentes e sua Substitui\u00e7\u00e3o&#8217;, ao que tudo indica, a primeira obra de odontologia feita no Brasil.<br \/>\nOutros dentistas franceses vieram a seguir: Celestino Le Nourrichel, Arson, Emilio Vautier, Henrique Lemale, Eug\u00eanio Delcambre, J\u00falio De Fontages, Hipp\u00f3lito E. Hallais(intitulava-se o dentista das fam\u00edlias), etc., trazendo o que havia de melhor na Odontologia mundial. Citando, como exemplo, alguns itens dos Honor\u00e1rios de Guertin:<\/p>\n<p>Dentes artificiais de cavalo marinho ou marfim&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..4000 r\u00e9is<br \/>\nNatural&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;..12000 r\u00e9is<br \/>\nIncorrupt\u00edvel (porcelana)&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.24000 r\u00e9is<\/p>\n<p>As dentaduras eram constitu\u00eddas de duas fileiras de dentes, esculpidas em marfim ou adaptadas em base met\u00e1lica, sendo as arcadas ligadas por molas el\u00e1sticas. Em 01 de junho de 1824, Greg\u00f3rio Raphael Silva, do Rio de Janeiro, recebeu a primeira &#8220;carta de dentista&#8221; ap\u00f3s a Independ\u00eancia do Brasil.<\/p>\n<p>No dia 30 de agosto de 1828, D Pedro I (1798-1834) suprime o cargo de cirurgi\u00e3o-m\u00f3r, cujas fun\u00e7\u00f5es passaram a ser exercidas pelas C\u00e2maras Municipais e Justi\u00e7as Ordin\u00e1rias. Mais ou menos nesta \u00e9poca, gra\u00e7as ao franc\u00eas Jean-Baptiste Debret (1768-1848) que viveu no Brasil de 1816 a 1831, reproduzindo em gravura a vida brasileira durante o Primeiro Imp\u00e9rio, H\u00e1 uma \u00fanica obra iconogr\u00e1fica do s\u00e9culo passado relacionada a atividade de profissionais que exercita a Odontologia. Denomina-se &#8220;Boutiques de Barbieri&#8221; e retrata dizeres: &#8220;barbeiro, cabellereiro, sangrador, dentista e deit\u00e3o bichas&#8221;.<\/p>\n<p>Em 1839, \u00e9 criada por Chaplin A. Harris, em Baltimore, Estados Unidos, a primeira Escola de Odontologia do mundo: Col\u00e9gio de Cirurgia Dent\u00e1ria. Foram Tamb\u00e9m seus professores: E. Farmly, E. Becker e S. Brown.<\/p>\n<p>Um dentista portugu\u00eas, Luiz Antunes de Carvalho, obteve notoriedade e riqueza, sendo um dos pioneiros na cirurgia buco-maxilar no Brasil. Em 18 de janeiro de 1832 havia obtido em Buenos Aires o direito de exercer a profiss\u00e3o. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1836, sendo o primeiro dentista a registrar sua &#8220;carta&#8221; na secretaria da C\u00e2mara Municipal. Ficou famoso na Argentina pela propaganda em forma de versos e depois em prosa. J\u00e1 se fazia marketing. No Brasil foi mais comedido, mas demonstrando sempre ser profissional conhecedor e atualizado, publicou no Almanak Administrativo Mercantil e Comercial: &#8220;Luiz Antunes de Carvalho enxerta outros dentes nas ra\u00edzes dos podres, firma dentes e dentaduras inteiras, firma queixos, c\u00e9us da boca, narizes artificiais e cura mol\u00e9stias da boca, rua Larga de S\u00e3o Joaquim,125&#8221;.<\/p>\n<p>Foi aprovado tamb\u00e9m na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e o primeiro a se registrar na Junta de Higiene, criada em 1850, em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 fiscaliza\u00e7\u00e3o exercida pela C\u00e2mara Municipal. A partir de 1840 come\u00e7aram chegar dentistas dos Estados Unidos e pouco a pouco suplantam os colegas franceses. Luiz Burdell foi o pioneiro, seguindo-se Clintin Van Tuyl, o primeiro a utilizar clorof\u00f3rmio(s\u00f3 em casos excepcionais) para anestesia, conforme cita em seu livro: &#8220;Guia dos Dentes S\u00e3os publicado em 1849.<\/p>\n<p>O Doutor Whittemore, que tornou-se mais tarde o dentista da Corte Imperial, propalava em 1850 ter recebido &#8220;uma por\u00e7\u00e3o de clorof\u00f3rmio puro para tirar dentes sem dor&#8221;. Nenrique C. Bosworth tamb\u00e9m se destacou.<\/p>\n<p>Em 1850, pelo decreto lei 598 \u00e9 criada a Junta de Higiene P\u00fablica, que possibilitou a Medicina uma enorme evolu\u00e7\u00e3o, principalmente pelas medidas saneadoras. Os tr\u00eas primeiros dentistas que se registraram: Luiz Antunes Carvalho (1852), Emilio Salvador Ascagne (1859) e Theot\u00f4nio Borges Diniz (1860). Mentes mais l\u00facidas procuravam a melhoria do ensino e normas um pouco mais criteriosas e moralizadoras \u00e0queles que desejassem praticar a Medicina e Odontologia.<br \/>\nAtrav\u00e9s do decreto de 15 de agosto de 1851, os novos estatutos da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro foram aprovados em 28 de abril de 1854, por proposta de seu diretor, Doutor Jos\u00e9 Martins de Cruz Jobim. A nomea\u00e7\u00e3o contribuiu para o desenvolvimento da profiss\u00e3o, principalmente no Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo. Em setembro de 1869, gra\u00e7as a Jo\u00e3o Borges Diniz, surge a primeira revista odontol\u00f3gica: &#8220;Arte Dent\u00e1ria&#8221;.<\/p>\n<p>Mais dentistas chegam dos Estados Unidos, alguns fugindo da Guerra da Secess\u00e3o (1861-1865): Samuel I. Rambo, Carlos Koth, Witt Clinton Green, Preston A.Rambo, Jonh William Coachman, William B. Keys, Carlos Keys, etc.. Estes tr\u00eas \u00faltimos pertencentes \u00e0 mesma fam\u00edlia, constituindo-se at\u00e9 hoje no maior contingente de cirurgi\u00f5es-dentistas no Brasil (cerca de 120 profissionais de uma s\u00f3 \u00e1rvore geneal\u00f3gica).<\/p>\n<p>Com os Estados Unidos liderando a evolu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e cient\u00edfica mundial, era compreens\u00edvel que muitos brasileiros para l\u00e1 se dirigissem afim de se aperfei\u00e7oar. O primeiro foi Carlos Alonso Hastings, natural do Rio Grande, que estudou no Philad\u00e9lfia Dental College, radicou-se no Rio de Janeiro e modificou o motor Weber-Ferry, que ficou conhecido como motor de Hastings. A seguir viajaram Fio Alves, Tamb\u00e9m do Rio Grande, os irm\u00e3os Gastal, de Pelotas, Francisco Pereira, Alberto Lopes de Oliveira (Universidade de Maryland) e outros.<\/p>\n<p>O decreto n\u00ba 8024 de 12 de mar\u00e7o de 1881, art. 94 do Regulamento para os exames das Faculdades de Medicina diz: &#8220;Os cirurgi\u00f5es-dentistas que quiserem se habilitar para o exerc\u00edcio de sua profiss\u00e3o passar\u00e3o por duas s\u00e9ries de exames: &#8211; O primeiro de anatomia, histologia e higiene, em suas aplica\u00e7\u00f5es \u00e0 arte dent\u00e1ria. O outro de opera\u00e7\u00f5es e pr\u00f3teses dent\u00e1rias. Ante os fatos narrados, faltava apenas um l\u00edder e vision\u00e1rios para instituir o ensino da Odontologia no Brasil.<\/p>\n<p>Vem na pessoa de Vicente C\u00e2ndido Sab\u00f3oia (1835- ), mais tarde Visconde de Sab\u00f3ia que, assumindo a dire\u00e7\u00e3o da Faculdade de Medicina em 23 de fevereiro de 1880, resolveu inicialmente atualizar o ensino, tanto material como cientificamente. Logo a seguir cria o laborat\u00f3rio de cirurgia dent\u00e1ria, encomendando aparelhos e instrumentos dos Estados Unidos. Com cr\u00e9dito especial obtido na lei 3141 de 30 de outubro de 1882, monta tamb\u00e9m o laborat\u00f3rio de pr\u00f3tese dent\u00e1ria.<br \/>\nPelos decretos 8850 e 8851 de 13 de janeiro de 1883, o cirurgi\u00e3o-dentista Thomas Gomes dos Santos Filho presta provas em concurso realizado em 22 de maio de 1883 e \u00e9 aprovado em primeiro lugar como preparador. De personalidade marcante, a odontologia nacional muito deve a ele, principalmente por ter descoberto a f\u00f3rmula de vulcanite e em seguida produzi-la. Conseguiu dessa forma suprir a falta de material e combater os pre\u00e7os abusivos.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as ao empenho de Vicente C. F. de Sab\u00f3ia e Thomas Gomes dos Santos Filho, houve um novo texto nos Estatutos das Faculdades de Medicina do Imp\u00e9rio, denominada Reforma Sab\u00f3ias, apresentado dia 25 de outubro de 1884 atrav\u00e9s do Decreto n\u00ba 9311 com seguinte enunciado: &#8220;D\u00e1 novos Estatutos \u00e0s Faculdades de Medicina&#8221;.<\/p>\n<p>&#8211; Usando da autoriza\u00e7\u00e3o concedida pelo art. 2\u00ba, Par\u00e1grafo 7\u00ba, da lei 3141 de 30 de outubro de 1882: &#8211; Hei por bem que nas Faculdades de Medicina do Imp\u00e9rio se observem os novos estatutos que com este baixam, assinados por Filippe Franco de S\u00e1; do Meu Conselho, Senador do Imp\u00e9rio que assim o tenha entendido e fa\u00e7a executar. Pal\u00e1cio do Rio de Janeiro, em 25 de outubro de 1884, 63\u00ba da Independ\u00eancia e do Imp\u00e9rio.<\/p>\n<p>Com a rubrica de sua Majestade o Imperador Filippe Franco de S\u00e1.<br \/>\nPela primeira vez, no art. 1\u00ba, vinha consignado que a odontologia formaria um curso anexo. Assim:<br \/>\n-Art. 1\u00ba &#8211; Cada uma das Faculdades de Medicina do Imp\u00e9rio se designar\u00e1 pelo nome da cidade em que tiver assento; seja regida por um diretor e pela Congrega\u00e7\u00e3o dos Lentes, e as compor\u00e1 de um curso de ci\u00eancias m\u00e9dicas e cir\u00fargicas e de tr\u00eas cursos anexos: o de Farm\u00e1cia, o de Obstetr\u00edcia e Ginecologia e o de Odontologia.<\/p>\n<p>a) Havia apenas as Faculdades de Medicina do Rio de Janeiro e de Salvador.<br \/>\nb) Compreende-se porque a primeira Escola de Odontologia de S\u00e3o Paulo , criada em 07 de dezembro de 1900, denominou-se nos primeiros anos , Escola de Farm\u00e1cia, Odontologia e Obstetr\u00edcia de S\u00e3o Paulo.<br \/>\nNo cap\u00edtulo II, a Sess\u00e3o IV tem o t\u00edtulo: &#8220;Do curso de Odontologia&#8221; &#8211; Art. 9\u00ba. Das mat\u00e9rias deste curso Haver\u00e1 tr\u00eas s\u00e9ries:<br \/>\n1\u00aa s\u00e9rie &#8211; F\u00edsica, qu\u00edmica mineral, anatomia descritiva e topografia da cabe\u00e7a.<br \/>\n2\u00aa s\u00e9rie &#8211; Histologia dent\u00e1ria, fisiologia dent\u00e1ria, patologia dent\u00e1ria e higiene da boca.<br \/>\n3\u00aa s\u00e9rie Terap\u00eautica dent\u00e1ria, cirurgia e pr\u00f3tese dent\u00e1rias.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas primeiros mestres no Rio de Janeiro foram:<br \/>\nThomas Gomes dos Santos Filho ( ), Aristides Ben\u00edcio de S\u00e1 (1854-1910) e Ant\u00f4nio Gon\u00e7alves Pereira da Silva (1851-1916) que prestaram relevantes servi\u00e7os \u00e0 Odontologia.<\/p>\n<p>Por Elias Rosenthal, CD &#8211; Jornal APCD &#8211; outubro de 1995.<\/p>\n<p>Outras Curiosidades:<\/p>\n<p>O pai de Tiradentes (m\u00e1rtir da inconfid\u00eancia), tamb\u00e9m foi dentista, profiss\u00e3o essa, ensinada para seu filho.<\/p>\n<p>Naquela \u00e9poca era comum \u201camarrar na cadeira\u201d os bra\u00e7os dos pacientes que seriam submetidos a uma extra\u00e7\u00e3o dent\u00e1ria. A esteriliza\u00e7\u00e3o dos instrumentos eram precariamente feitos, passando a ponta dos instrumentos sobre a chama de uma lamparina. Tamb\u00e9m fazia-se atendimento fora do consult\u00f3rio.<\/p>\n<p>A medica\u00e7\u00e3o p\u00f3s extra\u00e7\u00e3o era feita atrav\u00e9s de ervas medicinais que eram fornecidas ao paciente. Normalmente o dentista possu\u00eda em seu consult\u00f3rio, v\u00e1rios vasos com diferentes tipos de ervas para esse fim, ao qual removia algumas folhas, que eram dadas ao paciente, para utiliza\u00e7\u00e3o em forma de ch\u00e1 ou como colut\u00f3rio.<\/p>\n<p>A profiss\u00e3o de dentista no mundo \u00e9 bastante antiga. Arque\u00f3logos eg\u00edpcios descobriram as primeiras tr\u00eas tumbas de dentistas que datam da \u00e9poca fara\u00f4nica em uma localidade cerca de 25 quil\u00f4metros ao sudoeste do Cairo.<\/p>\n<p>A descoberta foi anunciado pelo Conselho Supremo de Antiguidades (CSA), em comunicado no qual informa que as tr\u00eas sepulturas foram achadas em escava\u00e7\u00f5es feitas no local monumental de Sakkara, e que datariam do Imp\u00e9rio Antigo (2575-2150 a.C.).<\/p>\n<p>Essas tumbas pertencem a um rei que governou no final da IV e princ\u00edpio da V dinastias fara\u00f4nicas.<br \/>\nUma dessas sepulturas, pertencente ao chefe dos dentistas do fara\u00f3, E e Mery, tem uma entrada que conduz a um sal\u00e3o retangular similar a um corredor, e que cont\u00e9m duas pequenas antec\u00e2maras com cenas da vida cotidiana esculpidas em suas paredes, ressaltou a autoridade eg\u00edpcia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hist\u00f3ria da Odontologia no Brasil Hist\u00f3ria da Odontologia no Brasil. 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